A melhor forma de entregar o relatório para os pais!

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O nosso relatório é para que a família entenda o que está sendo feito, porque está sendo feito e quais os resultados que isso tem proporcionado. Ele também é importante para que possamos ter uma comunicação com a equipe que acompanha essa criança. E nós também usamos esse relatório para demonstrar nosso trabalho para o médico que acompanha essa criança, o relatório não quer dizer que a criança receba alta, mas ele serve como o fechamento de todo esse processo. Porque nós colocamos o processo terapêutico em etapas, com objetivos a curto, médio e longo prazo. E os relatórios vão acompanhando esses ciclos para informar se estamos ou não alcançando esses objetivos.

Nesse relatório, nós incluimos e relatamos todas as etapas que construímos até aqui. Nós colocamos um resumo do que foi colhido na Anamnese, as queixas principais, investigação do diagnóstico, características individuais dessa criança e como estava o seu desenvolvimento. Na sequência vamos colocar todos os instrumentos que utilizamos, quais foram os resultados que tivemos com eles e o que esses resultados querem dizer. Aqui é onde nós vamos dizer, qual o nosso olhar clínico para os resultados de cada instrumento que decidimos aplicar.

Então, nessa parte do relatório você vai incluir todos os instrumentos que você utilizou, a referência bibliográfica de cada um deles e o seu olhar clínico perante cada resultado de cada instrumento.

E lembrem que o relatório não é apresentado apenas para a família, mas para toda a equipe multidisciplinar e os médicos que auxiliam no processo de desenvolvimento dessa criança. Então na sequência deste relatório você vai apresentar quais as estratégias você tem utilizado com base em tudo o que você enxergou nos primeiros momentos de Intervenção. Você vai incluir aqui, quais as estratégias você utilizou depois que você soube das queixas da família e depois que você aplicou os instrumentos de avaliação e identificou quais são os atrasos e os sintomas que a criança apresentou. 

Aqui é onde falamos o que construímos como plano de intervenção, quais são os nossos principais objetivos, quais foram as dificuldades que enxergamos ao longo desse processo, falamos também como foi a receptividade da família em relação a essas estratégias, se eles estão sendo participativos, se estão sendo orientados, se estão, quais foram essas orientações, eles estão colocando em prática tudo que é passado para eles? E como está sendo essa prática? Aqui nós anotamos também as dificuldades que a família passa no âmbito familiar, no momento de aplicar as estimulações do plano de intervenção.

Ao final da elaboração do relatório, é quando nós vamos levar esses resultados para a família. E nesse momento é quando vamos acolher novamente esse ciclo familiar. Mostrar para eles que como terapeutas, nós estamos aqui para apoiá-los e orientá-los.

É como quando alguma amiga chega na nossa casa em um momento difícil e nós acolhemos, apoiamos e deixamos claro que estamos lá para auxiliar.

Nesse momento com a família, é quando vamos explicar que vamos passar juntos por cada etapa que a criança irá conquistar e falar quais os caminhos que precisamos percorrer.

Porque como profissionais capacitados, aprimorados e nessa busca por estudos e aprimoramento, a gente é quem sabe olhar para esses resultados e traduzi-los para a família.

E são esses resultados que temos depois das semanas de aplicação do plano de intervenção, que vamos levar para a família, para a equipe e para o médico que auxiliam a criança. Aqui nós vamos fazer um comparativo, de como a criança estava lá na Anamnese e como ela está agora, nessa devolutiva. 

Nós vamos identificar quais foram os avanços que essa criança teve e quais ainda não teve. E identificando isso, nós vamos incluir nesse relatório o nosso olhar clínico para cada habilidade que a criança ainda não está realizando ou não realiza totalmente. E aqui nós vamos sugerir o que podemos fazer para intervir em cada ponto crítico.

Fazendo dessa forma, nós vamos estar mostrando para a família, para a equipe multidisciplinar e para o médico, como é o nosso trabalho e quais são as referências que usamos na momento de estruturar a nossa prática.

E isso passa segurança e acolhimento para a família, e com já mencionei, o momento da devolutiva é a hora de acolher novamente essa família, porque depois de algum tempo aplicando o plano de intervenção, algumas famílias ainda vem com a esperança de que após esse processo, a possibilidade do diagnóstico seja afastada dessa criança porém quando entregamos nosso relatório para família, eles conseguem ver o diagnóstico e os pontos críticos do desenvolvimento da criança de uma maneira mais clara. É aqui que eles entendem o que de fato está acontecendo. E é nesse momento que novamente nós vamos levar orientação e apoio a essa família.

Nessa entrega do relatório, é onde nós podemos apresentar o nosso trabalho. 

E todo esse processo de devolutiva, é o que faz o diferencial. Nós não podemos mais ser aquele tipo de terapeuta, que eu já fui no começo da minha carreira, em que eu recebia a criança, levava ela para minha sala, e depois do atendimento com a criança, falava para a família apenas um “Olha, tá tudo bem, hoje ele fez tudo que eu pedi.” 

Esse processo de explicação de devolutiva para a família é o que realmente muda o nosso atendimento, porque eles se sentem acolhidos e entendem como será o processo de desenvolvimento da criança