DIAGNÓSTICO DO AUTISMO

O diagnóstico do autismo é realizado principalmente pela observação do comportamento da criança e uma anamnese feita com os pais desse paciente.

Os principais sintomas do TEA geralmente estão presentes antes dos 3 anos de idade, por isso a Intervenção Precoce é de extrema importância. Quanto mais cedo esses sintomas forem identificados, mais o tratamento será efetivo.

Infelizmente, o Autismo não tem “cara”, forma física, sinais na pele ou no rosto da criança e não aparece em exames de imagem ou de sangue… Esta condição só pode ser identificada por meio de observação do comportamento da criança e por informações coletadas por meio de relatos de seus cuidadores, até que se preencham os critérios necessários para se confirmá-lo ou descartá-lo.

Ainda não existem exames específicos para identificar o autismo, mas alguns exames como o eletroencefalograma (EEG) e a ressonância magnética nuclear (RNM), o teste do pezinho e entre outros que auxiliam na investigação de causas e doenças associadas.

Como terapeutas, existem alguns passos que podemos usar para identificar o transtorno do espectro do autismo, mas sempre lembrando que nós podemos sugerir mas nunca fechar um diagnóstico. Quem fecha o diagnóstico é sempre o médico pediatra!

A primeira coisa que vamos fazer é uma entrevista com os pais ou cuidadores dessa criança. Colher informações sobre o comportamento social da criança, como ela se comunica socialmente, além de verificar se ela apresenta atitudes e intenções repetitivas e fora do contexto, é essencial! 

Outra coisa que pode ser feita, é reunir vídeos da criança. Muitas vezes, na entrevista, as informações são frágeis e pouco definidas. Neste caso, talvez seja necessário investigar observando diretamente a criança por meio de vídeos em plena atividade compartilhada com os amiguinhos ou com a família; ou o profissional pode também visitar a escola para ver a criança diretamente em ambiente social e lúdico.

Outro ponto muito importante, é ter contato com os profissionais que acompanham essa criança. Por exemplo, é essencial entrar em contato com a Escola e com os professores já que a visão e a análise de profissionais que lidam com crianças podem ser decisivos para um maior e mais amplo esclarecimento acerca de seu comportamento.

E partindo para ações que podemos fazer com a família e com a criança, é aplicar instrumentos de avaliação, como o M-CHAT (Modified-Checklist Autism in Toddlers), já traduzido para nossa língua.

E por último, mas não menos importante, pesquisas provam que fatores biológicos podem estar ligados com o TEA, por isso é essencial verificar se na família existem casos de Autismo ou de outros transtornos de desenvolvimento ou neuropsiquiátricos.

Outro ponto crucial são as idades materna e paterna acima de 40 anos que também se correlacionam com risco maior de ter filhos com TEA. Além disto, neste histórico, pode-se também averiguar suas condições de parto, peso ao nascer e se houveram problemas significativos naquele momento, como prematuridade e baixo peso.

Todos esses pontos podem ser coletados durante a Anamnese e durante a aplicação dos Instrumentos de avaliação.

Outro sistema que usamos, é o DSM-5 que é o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

O DSM-5 segue os seguintes critérios para o diagnóstico do Autismo:

  • Inabilidade persistente na comunicação social, manifestada em déficits na reciprocidade emocional e nos comportamentos não verbais de comunicação usuais para a interação social.
  • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividade, manifestados por movimentos, falas e manipulação de objetos de forma repetitiva e/ou estereotipada, insistência na rotina, rituais verbais ou não verbais, inflexibilidade a mudanças, padrões rígidos de comportamento e pensamento; interesses restritos e fixos com intensidade; hiper ou hipo atividade a estímulos sensoriais.
  • Os sintomas devem estar presentes no período de desenvolvimento, em fase precoce da infância, mas podem se manifestar com o tempo conforme as demandas sociais excedam as capacidades limitadas. 

Caso tenha ficado com alguma dúvida, você pode ir no meu Instagram @coralina.terapeutaocupacional e conferir alguns conteúdos que disponibilizo diariamente sobre Intervenção Precoce.